O cristão e as autoridades constituídas

por Pr. Ibi Batista

Você já pensou sobre este assunto? Será que, como cristão, posso questionar ou mesmo confrontar autoridades constituídas? Tenho que me submeter sempre? Seria correta a interpretação, por parte de alguns, de que é  pecado se “levantar” contra qualquer autoridade (inclusive eclesiástica)? Hittler seria uma autoridade instituída por Deus?

Diante do momento que passamos, talvez seja importante fazer algumas considerações bíblicas a respeito de nossos relacionamentos com as autoridades. O Apóstolo Paulo escreve aos Romanos, no capítulo 13, um texto clássico que exemplifica muito bem o assunto. Gostaria de tecer alguns comentários sobre este texto e sobre nossa posição diante de tais situações.

Começo ressaltando a abordagem dada pela Bíblia quando o assunto se refere à autoridade instituída em relacionamento entre pastores e o povo de Deus.

Os textos que falam sobre o respeito devido às autoridades não são apócrifos. Muito ao contrário; afirmo que além de verdadeiros, são essenciais. Neles estão contidos propósitos importantes para a manutenção da ordem.

Sem autoridades em uma sociedade, sejam elas civis, militares ou religiosas, tudo se transformaria em anarquia. É inimaginável viver em comunidade sem o papel das autoridades – um caos.

No entanto, há de se observar que não podemos ter uma postura de subserviência, uma submissão e obediência às autoridades de modo acrítico ou cego.

Deus deu ao homem o poder de pensar, questionar e nos capacitou com um dom precioso: o discernimento. Esse nos foi dado para que, em qualquer ocasião, possamos discernir a vontade de Deus, para que possamos entender o que é certo e o que é errado, e para decidir entre o bem e o mal.

Uma boa dica para isto é sempre tomar Jesus como modelo. Nele está encarnada a soberana vontade de Deus. A velha pergunta que precisa ser feita é: Se Jesus estivesse aqui, o que faria? Esta é uma boa forma de colocarmos na balança as autoridades. Não está no padrão de Deus, que seja anátema!

O que estou afirmando é que nem toda autoridade (eclesiástica ou política) foi constituída por Deus. {Pastor: é exatamente essa palavra que o senhor deseja usar? Por que diz exatamente o contrário do que encontramos em Romanos 13:1. E isso significa dizer que a Bíblia não é verdadeira em sua totalidade?}. Se não obedecem a Deus também não devo obedecê-las. Ele está acima das autoridades, sejam elas quais forem. O apóstolo Pedro diz em seu discurso (At 4.19): “mais importa obedecer a Deus do que aos homens”.

Vejamos um exemplo prático: Se toda autoridade vem de Deus, como explicar Hitler, que matou milhões de pessoas e crianças inocentes? Teria sido constituído por Deus? Deveríamos ser fatalistas e ficar passivos? O que dizer, ainda, de Mussolini, Nero, Cezar, dos líderes dos antigos países da cortina de ferro, os quais mataram e torturaram homens verdadeiros, fiéis cristãos? Entender que pessoas que perseguiram e mataram inocentes foram colocados por Deus? Desculpe, não dá!

Talvez se pergunte: Qual o critério que devo observar para que possa avaliar uma autoridade? Como devo saber se devo, ou não, obedecer e honrar tais autoridades?

A resposta é simples e direta: Se a autoridade se opõe aos princípios de Deus, que a instituiu, perdeu seu sentido de ser. Toda autoridade deve passar pelo crivo: promove o bem e castiga o mal? Se não pode responder afirmativamente a essas assertivas, essa não é uma autoridade que merece nossa submissão. Fora com ela!

Para não passar a ideia que isto é apenas um pensamento particular, lembro que na Bíblia existem muitos homens de Deus que, sem medo, questionaram autoridades. Mais do que isto, incisivamente, colocaram seus dedos em riste na cara do “pseudo ungido”, demonstrando nenhuma submissão para com seus cargos públicos, sejam elas quais forem: reis, governadores, sacerdotes, etc.

Quando uma autoridade, ainda que constituída legalmente, não corresponde aos princípios morais estabelecidos na Palavra de Deus, pode-se dizer que esta é considerada uma autoridade apócrifa, desviada e anátema. Veja: I Rs 13; I RS 16:1-7; I RS 18:1-19; Jr 22:1-9.

Lembrando ainda que o Novo Testamento registra Jesus chamando Herodes de raposa (Lc 13.32). E o que dizer, ainda, das vezes que chamou as autoridades espirituais de sepulcros caiados ou então quando vemos João Batista confrontando o grande Herodes e denunciando seus pecados (MT 14). Ele sofreu consequências: foi preso e decapitado, perdeu a vida, mas não perdeu a moral.

Autoridades que se afastam de princípios éticos e morais, contidos na Palavra de Deus, não merecem nossa submissão. Mais do que isto, devem ser confrontadas e não confortadas, devem ser repudiadas e não inocentadas.

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1 comentário

  • clóvis disse:

    Prezado irmão.
    Apenas para uma meditação breve, sem querer confrontar acima escrito, porém mesmo que hajam autoridades más ou não [quando um justo governa o povo se alegra, mas quando um impío governa o povo geme], mesmo assim, discernindo momentos de questioná-las ou não, ainda assim TODA AUTORIDADE É ELEITA POR DEUS , seja ela para corrigir ou abençoar o próprio homem segundo propósitos de DEUS QUE É SOBERANO. Quando José filho de Jacó governou o Egito, este era descendência direta de Abraão e um dos pilares das 12 tribos de Israel, e mesmo assim ele foi usado por Deus para sujeitar o povo a escravidão, inclusive os hebreus, no qual Moisés liderou a sua libertação a comando de Deus centenas de anos após. E Nabucodonosor invadindo Jerusalém, e por ai vai, são inúmeras situações neste sentido…enfim…Deus constitui autoridades boas, ruins ou não para corrigir seu próprio povo. Ainda que sejam absurdamente más, Deus continua sendo Soberano em todas estas esferas, e se tememos a Deus antes oraremos a ele mediante as autoridades constituídas [em regra em nosso visão quase todas ruins é notório isto], mas se orarmos a Deus certamente morrendo ou vivendo Deus será nossa maior bandeira acima de tudo e todos. Esta é a razão de sujeitar as autoridades ao próprio Deus e seu comando, apenas assim sujeitando-as ao agir de Deus, elas abençoadoras ou não, isto pertencerá somente a Deus, a ele cabe a palavra final. e uma coisa te garanto que se orarmos a Deus pelas autoridades teremos diante dos céus e na terra dados por Deus o poder de mudar algumas coisas, senão meu irmão, estaremos sujeitos a própria sorte e daí resultado será o que vemos em maioria das vezes, nenhum..o erro está aqui não em políticos ruins mas em “homems de Deus” ruins, que antes se sujeitam a tudo menos a Deus quando deveriam fazer o oposto. Quando soubermos obedecer e temer a Deus alguma coisa mudará ainda que se cumpra o determinado pelo criador que detém poder sobre todas as coisas….Graça, Paz e Prosperidade estejam diante de ti e sua familia…Clóvis!

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